Divórcio e os filhos, uma visão sistêmica

O divórcio é um momento difícil em que um casal, que fez vários planos de compartilharem a vida, passa e, apesar dos esforços conjuntos, esta união chegou ao fim.
Para que seja efetivada a dissolução de um casamento se faz necessário o processo de divórcio, além dos trâmites processuais de praxe, os sentimentos e ressentimentos, mágoas e outros sentimentos vêm à tona neste momento.
Tudo aquilo que não foi dito, expressado, verbalizado durante anos agora será dito com o peso do ressentimento, da raiva, da angústia, do abandono ou sentimentos afins.
Às vezes, a razão alegada para o divórcio é uma traição, o que gera um sentimento de revolta e abandono pela parte traída, isso tudo estamos falando no plano do consciente. Mas, quando olhamos profundamente por meio da Constelação familiar as razões ocultas que levaram a práticas como essa, observa-se que as questões são um pouco mais complexas do que aparentam aos nossos olhos.
Sistemicamente não importa a razão da separação, juridicamente já há um bom tempo também não. Sim, antes era necessário alegar a razão, hoje em dia basta o querer de uma das partes. Então, não há necessidade de adentrarmos nos pormenores das razões ou não que levaram ao divórcio, o que importa é observar as dinâmicas inconscientes, o que está sendo excluído?
Isso pode ser feito por meio de um atendimento humanizado no escritório de advocacia, mas o que eu quero mesmo falar hoje aqui é da importância de separarmos a relação de marido e mulher, que no momento do divórcio se desfaz, da relação que cada um dos cônjuges têm com seu filho, sendo pai ou mãe. A relação com seus filhos nunca se dissolverá, este é um vínculo que permanecerá mesmo após o divórcio.
Assim, é importante tomar consciência dessa diferenciação e blindar os filhos (que nada tem a ver com a relação de casal) das razões que levaram ao divórcio. Repito mais uma vez, uma coisa é a relação de casal que agora por meio do divórcio terá seu fim e outra, completamente diferente, é a relação de pais para com seus filhos, esse vínculo perdurará por toda a vida.
Dessa forma, apesar de um ou ambos os cônjuges terem sentimentos negativos com relação ao outro nunca devem expressá-los na frente dos seus filhos. Os filhos não podem ser amigos ou confidentes dos pais porque para eles essa função é muito pesada. Os filhos devem permanecer como filhos não se envolvendo na relação de casal dos pais. Afinal, eles nem estavam lá quando os pais começaram – esse é um assunto só dos pais.
Observa-se que quando os filhos participam e tomam um partido de um dos genitores em desfavor do outro as consequências para este filho serão muito pesadas: ao negar um dos seus pais é como se o filho negasse metade dele mesmo, o que pode provocar uma série de problemas emocionais no presente e no futuro.

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